Cães (Canis lupus familiaris)


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Espécies

O Brasil dos Outros 500


Nomes alternativos: cão (português), yawara (tupi), jaguá (guarani), hond (holandês), dog (inglês), perro (castelhano), chien (francês), cane (italiano), hund (alemão), sabaka (russo), kuon (grego), skilos (grego moderno), canis (latim), mbwa (suaíli), eniyan (ioruba), inu (japonês), gou (chinês), gae (coreano), allqo (quéchua), anu (aimara), itzcuintli (náhuatl), peek’ (maia), shva (sânscrito), kalb (árabe), kelev (hebraico), aath (neandertalês ocidental), huo (élfico europeu), hû (caapora)

Altura média: 47 cm (com ampla variabilidade racial), Comprimento médio: 55 cm (com ampla variabilidade racial), mais cauda de 20-25 cm (com ampla variabilidade racial). Massa média: 23 kg (com ampla variabilidade racial)

Hábitat: acompanha o homem em quase toda a superfície terrestre do planeta.

Inteligência Abstrata: -8½; Inteligência Concreta: -4; Resistência: 0; Proteção: – em raças de pelo curto,  0 em raças peludas; Tamanho: -1 (cães pequenos e médios, até 20 kg) ou 0 (cães grandes); Saúde: +1 (+2 em cães selvagens e vira-latas); Mobilidade: +1 (-1½ para um dachshund, +2½ para um galgo); Sentidos: +4 (Olfato: +12; Audição: +3, com ultra-audição; Visão: -3, com visão noturna superior e daltonismo); Dificuldade de treinamento: +2 (variável conforme a raça).

Habilidades médias: Força: 0 (de -9 para os cães menores até +5 em raças muito grandes); Combate: +2 (até +5 para um cão especialmente treinado); Esquiva: +3 (pode variar de +2½ a +3½); Salto: +6 (até +10 para um labrador); Natação: +4; Furtividade: +2 (até +5 para um cão treinado); Corrida (curta): +10 (até +20, dependendo de raça e treinamento); Preparo Físico: +3 (até +5 em cães excepcionais); Caça: +2 (até +5 em cães especialmente treinados); Escalada: +1 (até +3, dependendo de raça e treinamento)

Manobras de combate: Morder (1 / 1½) (de 0 / 0 até 2 / 2½, conforme a raça)


Características

Em 1993, o manual Espécies de mamíferos do Mundo: Uma referência taxonômica e geográfica (em inglês), da Sociedade Americana de Mamalogistas e do Smithsonian Institute, editado por D.E. Wilson e D.A.M. Reeder, o cão doméstico passou a ser designado como Canis lupus familiaris, ao invés do anterior Canis familiaris, confirmando o consenso científico de que o cão é de fato da mesma espécie que o lobo – a diferença genética é de, no máximo, 0,2%.

Na verdade, todos os membros do gênero Canis (incluindo lobos, coiotes, chacais e o cão selvagem africano) podem cruzar entre si em cativeiro e gerar descendência fértil, mas estudos genéticos recentes confirmam que só o lobo deu uma contribuição significativa ao cão doméstico. A razão disso está provavelmente nos hábitos solitários dos chacais e coiotes.

Um cão adulto comporta-se como um filhote de lobo. Chama a atenção, geme, late (o que não existe nos lobos adultos) e brinca. Mantém-se aberto para interações sociais e é consistentemente mais amigável, característica que desaparece, no lobo, a partir dos 22 meses. O padrão reprodutivo também é diferente, uma vez que, enquanto as cadelas apresentam normalmente dois cios por ano (o seu número pode variar de um a quatro), as lobas apenas têm um cio por ano, geralmente no inverno.

O cio das cadelas dura de 9 a 28 dias. A gestação dura 58 a 63 dias, após a qual nasce uma ninhada de três a nove filhotes (mais numerosos nas raças maiores). O treinamento pode iniciar-se aos 45 a 60 dias de vida. Os filhotes são amamentados até os quatro meses de idade. A segunda dentição surge a partir dos quatro meses e meio e, daí aos seis meses, quando se inicia a adolescência, é a fase crucial para seu treinamento. Tornam-se adultos com dois anos de idade (raças grandes) ou três (raças pequenas) e vivem, em média, doze anos (as raças pequenas vivem mais).

Enquanto os homens se guiam pela visão, a maioria dos cães se guia principalmente pelo olfato – embora algumas raças, como os galgos, tenham sido criadas para se orientar principalmente pela visão. A região do nariz do cão é de 150 centímetros cúbicos, enquanto o do homem é de 4 centímetros cúbicos. O cão possui mais de duzentos milhões de células olfativas, enquanto o homem possui apenas cinco milhões. Os cães também têm audição superior ao homem e podem houvir vibrações sonoras entre 10 e 40.000 hertz, enquanto a capacidade do homem vai de 16 a 20.000 hertz. Assim, o cão percebe sons que o ouvido humano é incapaz de captar: infra-sons e ultra-sons.

Por outro lado, a visão dos cães tem menos capacidade para distinguir cores (sua visão de cores é comparável à do tipo mais comum de daltonismo humano, a deuteranopia), vêem menos detalhes e têm menos capacidade de acomodação à distância (em termos humanos, são présbitas, com a capacidade de acomodação visual de uma pessoa de 50 a 60 anos): sua acuidade visual diurna é 2,5 a 5 vezes menor que a dos humanos, embora a noturna seja melhor, de forma que só de muito perto eles conseguem reconhecer o dono visualmente. Algumas raças, como os galgos e os recolhedores (retrievers), tendem a ser hipermétropes; outras, incluindo pastores alemães, schnauzers e rottweilers, tendem a ser míopes. Os cães têm visão periférica mais ampla, mas sua visão binocular tem um ângulo menor (100°, ante 140° no homem)

O paladar dos cães é menos sensível que o do homem: o cão utiliza mais o sentido do olfato do que o do paladar para aceitar ou rechaçar o alimento e pode facilmente ser envenenado. Os cães são também mais vulneráveis ao choque elétrico que os humanos.

O recorde de salto em altura para cães é de 2,08 m e, em distância, 8,08 m. Ambos pertencem a cães da raça Labrador.

A quantidade de alimento necessário depende do tamanho. Para um animal adulto:

peso do cão (kg)

ração diária (g)

1

50

3

100

5

150

10

250

20

400

30

650

50

850

100

1.500

150

2.000


Raças

As evidências arqueológicas revelam a existência de cães domésticos desde 12.000 a.C. e sugerem que os ancestrais do cão doméstico não foram as grandes sub-espécies nórdicas do lobo, como o lobo cinzento, mas subespécies do Sudeste Asiático, Oriente Médio e norte da África, como o lobo árabe (Canis lupus arabs) e o lobo indiano (Canis lupus pallipes). Os cães mais primitivos devem ter sido parecidos com os cães de Canaã e dingos australianos.

A origem de algumas das mais de 400 raças caninas atualmente reconhecidas remonta, no mínimo, à Idade do Bronze, durante a qual desenhos já mostram cães de diferentes tipos. Acredita-se que os lobos domesticados se dividiram em cinco linhagens básicas:

 

Canis lupus familiaris palustris: cães de trenó.

Canis lupus familiaris metris-optimus: cães pastores

Canis lupus familiaris inostranzewi: molossos, mastins e alguns cães d’água.

Canis lupus familiaris intermedius: cães de caça e farejadores, bracos

Canis lupus familiaris leineri: grupo dos terriers e lebreiros

É impraticável, porém, reconstituir a genealogia de todas as raças. Na prática, elas costumam ser classificadas de acordo com sua utilidade:

Guarda e utilidade: Para todos os trabalhos, incluindo caçadores de ratos (terriers), pastores ou ovelheiros, boieiros ou rafeiros, puxadores de trenós, guardas e guias de cegos. Felizes quando têm alguma responsabilidade, ainda que sejam excelentes animais de estimação e guardas naturais. Como grupo são muito inteligentes, sendo o treinamento uma necessidade absoluta para que sua inteligência seja desenvolvida corretamente. É um grupo dos mais pitorescos, interessantes e úteis.

Caça e tiro: Anos seguidos de treinamento de obediência, em atividades de caça, além de suas habilidades óbvias, faz com que os cães de caça e tiro sejam animais de confiança, inteligentes, calmos e equilibrados. As raças de maior porte precisam de espaço ao ar livre e exercício, enquanto as menores adaptam-se à vida em apartamentos. De um modo geral, as raças pertencentes à este grupo são resistentes, estáveis, afetivas e excelentes companheiras para crianças. Há três subtipos básicos: perdigueiros ou apontadores (pointers), que apontam a caça, cobradores ou cães de parar (flushers) que localizam a caça (incluindo os spaniels), e recolhedores (retrievers) que recolhem a caça (cães d’água ou waterfowl dogs, quando adaptados para buscá-la na água).

Caça e presa: Raças amigáveis, dignas e corajosas. Gentis com crianças, têm um anseio instintivo por liberdade, por seguir pistas e um por perambular. Com exceção do pequeno dachshund (“salsicha”), adequado para apartamentos, a maioria dos cães deste grupo precisa de muito espaço para se movimentar e de exercício para se desenvolver. Há dois subtipos: sabujos, que caçam usando o faro e galgos, que caçam utilizando a visão.

De companhia: Adaptam-se bem à vida em cidades grandes, são gentis e inteligentes, merecedores de toda confiança com crianças. Fáceis de adestrar, dóceis e alegres, são animais de estimação por excelência.

Anões: Satisfazem a necessidade, que algumas pessoas têm, de mimar e cuidar de um pequeno animal, recebendo em troca sua devoção. São infantis na sua necessidade de atenção, cuidados especiais e companhia constante. Nem sempre são os melhores cães para crianças, por causa das brincadeiras bruscas e barulhentas. Adequados para apartamentos, não precisam de muito exercício, estão sempre alertas e prontos para dar alarme.

Híbridos: Cães cruzados com espécies selvagens, tais como lobos e coiotes. Também têm características selvagens, como o hábito de uivar. Também necessitam de atenção freqüente para que não se tornem agressivos ou indiferentes ao dono e são sempre desconfiados de cães e humanos estranhos. Em liberdade, podem ser mais perigosos que os lobos e coiotes autênticos, pois não têm instintos tão apurados para a caça cooperativa (ou são rejeitados pelas alcatéias) e freqüentemente passam a atacar sistematicamente rebanhos e pessoas (principalmente crianças e mulheres) que parecem ser presas mais fáceis.

Selvagens: Cães que regrediram para a vida selvagem. Caçam em grupos familiares ou matilhas e têm algumas características de lobos: latem pouco e uivam muito. Difíceis de domesticar, a menos que capturados quando pequenos, necessitam de atenção freqüente para que não se tornem agressivos ou indiferentes ao dono e são sempre desconfiados de humanos estranhos e de cães que não sejam membros de sua matilha.

raça

dif.

res

mob

esq.

corr

mordida

força

Percepção

alt

pes

 

de

trein.

 

 

 

 

pen

dan

 

 geral

olf

vis

aud

cm

(*)

kg

(**)

Anões

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

pomerânia ou spitz alemão anão ("lulu")

1

-1½

½

7

0

0

-7½

2

7

-3

3

20

2,4

poodle ou caniche anão (poodle toy)

½

-1

0

3

6

0

½

-4

9

-3

3

25

7

chihuahua

½

-1½

1

4

8

0

0

-8½

5

-3

3

19

1,6

pequinês

3

-1

3

5

0

½

-5

8

-3

3

19

5

Companhia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

buldogue inglês

3

0

-1

5

1

0

12

-3

3

34

24

pinscher

-1

1

3

8

0

½

-4½

8

-3

3

28

5,4

vira-lata “típico” (street dog)

0

1

3

10

1

4

12

-3

3

47

18

poodle ou caniche, grande

½

0

½

9

1

½

4

12

-3

3

52

28

idem, médio

½

0

0

7

1

11

-3

3

40

19

idem, miniatura

½

6

½

1

-1½

10

-3

3

32

14

schnauzer médio

1

3

12

½

1

-1½

10

-3

3

47

15

dálmata

0

1

10

1

½

4

12

-3

3

53

26

schnauzer gigante ou riesenschnauzer

1

½

1

3

12

2

4

13

-3

3

65

38

pomerânia, spitz alemão - lupo

1

0

0

8

1

1

4

12

-3

3

50

30

idem, grande

1

0

½

3

9

1

11

-3

3

46

20

idem, médio

1

0

3

7

½

1

-2

3

10

-3

3

34

12

idem, pequeno

1

5

½

1

-2½

3

10

-3

3

26

10

Caça e presa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

dachshund, teckel ou baixote ("salsicha")

2

-1½

4

½

1

-2

11

-3

3

17

11

galgo ou greyhound

0

3

18

1

1

4

12

-2

3

72

31

afegão

3

0

3

18

1

1

4

12

-2

3

70

29

basset ou bassethound

3

0

-1

2

5

1

½

4

13

-3

3

34

24

beagle

3

0

-1

5

1

½

4

13

-3

3

36

26

sabujo, bloodhound ou Saint Hubert

3

½

½

10

2

14

-3

3

64

45

Caça e tiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

weimaraner ou braco de weimar

1

½

1

11

2

2

4

13

-3

3

64

41

setter

0

2

3

15

1

1

4

13

-3

3

66

29

perdigueiro português

2

0

3

12

1

0

13

-3

3

52

21

pointer

2

0

3

14

1

1

13

-3

3

65

33

cocker spaniel

1

½

3

8

½

1

-1½

11

-3

3

39

15

Guarda e utilidade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

terranova

½

½

10

2

4

13

-3

3

71

63

labrador

1

0

1

3

11

1

1

4

13

-3

3

59

31

cão d’água português

0

½

9

2

0

4

13

-3

3

47

22

canaã

0

3

12

1

0

12

-3

3

55

24

pastor inglês, sheepdog ou bobtail

½

1

10

2

4

13

-3

3

58

35

pastor alemão ou "lobo da Alsácia"

½

½

13

2

2

4

13

-3

3

60

44

cão da Serra da Estrela

1

½

1

12

2

4

13

-3

3

65

46

collie

1

0

3

13

1

1

4

13

-3

3

61

30

fox paulistinha ou terrier brasileiro

1

3

10

½

1

-3

4

12

-3

3

37

10

fox terrier

2

2

13

½

1

-3½

4

12

-3

3

40

7,8

bull terrier americano ou pitt bull

0

1

3

10

2

0

4

12

-3

3

49

21

akita

2

½

1

11

2

2

4

13

-3

3

65

44

cão-lobo tchecoslovaco

3

0

2

3

15

1

½

12

-3

3

63

26

boxer

2

0

3

12

1

1

4

12

-3

3

59

30

mastim

3

1

½

10

2

4

13

-3

3

77

85

fila brasileiro

3

½

½

10

2

3

13

-3

3

66

53

dobermann

½

½

1

3

12

2

4

13

-3

3

65

38

rottweiler

½

½

½

9

2

3

13

-3

3

63

54

dogue alemão ou dinamarquês

2

½

13

2

4

13

-3

3

80

63

são-bernardo

1

0

2

8

2

4

4

13

-3

3

68

77

samoieda

0

1

10

1

1

4

12

-3

3

55

29

husky

2

0

3

12

1

0

11

-3

3

55

23

malamute ou esquimó

2

½

½

10

2

13

-3

3

65

52

Híbridos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

cão-lobo híbrido

3

½

14

2

3

4

12

-3

3

76

53

cão-coiote híbrido (coydog)

3

0

2

3

17

1

½

4

12

-3

3

68

28

Selvagens

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

dingo (Canis lupus dingo)

3

0

½

9

1

1

4

12

-3

3

53

30

cantor da Nova Guiné (Canis lupus hallstromi)

3

½

3

8

½

1

-2

3

10

-3

3

37

12

 (*) altura média de uma fêmea grande ou de um macho pequeno; fêmeas pequenas até 10% menos; machos grandes até 10% mais.

(**) peso médio de uma fêmea grande; macho grande 5% mais; macho pequeno 10% menos; fêmea pequena, 20% menos.

 

Observações sobre as raças

Raça

Observação

Anões

 

pomerânia ou spitz alemão anão ("lulu")

Cão de colo, advertidor, seguro de si

poodle ou caniche anão ("poodle toy")

Inteligente, mas de saúde delicada.

chihuahua

Rápido, alerta, cheio de vida e muito corajoso. Conhecido no México desde o tempo dos toltecas

pequinês

Muito antigo, existe desde o início do Império Chinês. Corajoso, leal, indiferente sem ser tímido ou agressivo

Companhia

 

buldogue inglês

Descendente do molosso grego. Originalmente usado em combate com touros. Fleumático, tranquilo, dorminhoco e paciente. Bom guarda. Quando morde, custa a largar.

pinscher

Companhia, guarda de automóveis e residências. Vivaz e atento, pode se tornar agressivo

vira-lata “típico”

Geralmente, têm boa saúde, mas as outras características são difíceis de predizer.

poodle ou caniche, grande

Conhecido desde a Idade Média. Originalmente cão d'água e de busca, também usado como localizador de trufas

idem, médio

idem

idem, miniatura

Ide, popularizado nos anos 50

schnauzer médio

grande vitalidade, originalmente usado como cão de fazenda e caçador de ratos. Raça de Bidu, o cão do Franjinha da Turma da Mônica.

dálmata

Ativo, alegre, muito ligado ao dono, dócil. Cão de guarda e companhia

schnauzer gigante ou riesenschnauzer

Usado originalmente como boiadeiro, mostrou-se excelente cão de guarda na I Guerra Mundial. Persistente, corajoso e afetuoso

pomerânia, spitz alemão - lupo

Ativo, alerta, independente e dedicado

idem, grande

idem

idem, médio

idem

idem, pequeno

idem

Caça e presa

 

dachshund, teckel ou baixote ("salsicha")

Conhecido desde o século XVI. Feroz, expressivo, sagaz, enérgico, dedicado. Bom cão de guarda, late alto para seu tamanho

galgo ou greyhound

Conhecido desde a Antiguidade. Equilibrado, caçador inveterado, aceita bem vários tipos de adestramento. Persegue tudo que se mova e é o cão mais veloz do mundo

afegão

Corajoso, pode ser bom guardião, desconfiado e esquivo com estranhos, afetuoso com o dono

basset ou bassethound

Originalmente usado para seguir o rastro de coelhos e lebres. Temperamento doce, não ativo nem tímido, dedicadíssimo

beagle

Barulhento. Veloz, usado para caça ao coelho e à lebre. Temperamento forte, ativo, reações rápidas, inteligente. A raça do cãozinho Snoopy de Charlie Brown (Peanuts)

sabujo, bloodhound ou cão de Saint Hubert

Criado desde a Antiguidade. Afetuoso, às vezes tímido, sensível aos bons tratos, correto em geral, não deve ser castigado. Sua paixão é seguir pistas, preferencialmente humanas: pode seguir rastros com vários dias. Não mata a presa

Caça e tiro

 

weimaraner ou braco de weimar

Criado como cão para caça grossa em Weimar, no século XIX; hoje usado pela polícia. Caçador entusiasmado, agressivo contra os animais nocivos, tem grande facilidade em distinguir pistas.

setter

Conhecido desde o século XIV, senta-se quando encontra a presa, daí o nome. Amigável e alegre. Caça que exija cão galopador de excelente olfato

perdigueiro português

Conhecido em Portugal desde o século XIV, era usado pelos nobres para a alternaria (caça com recurso a aves de rapina ou presa), mas também pelos servos que se esgueiravam nos domínios senhoriais durante a noite e com a ajuda do perdigueiro surpreendiam as presas. Tornou-se assim num cão plebeu e pior, cúmplice do caçador furtivo. O rei D. Sebastião chegou a proibir sua posse e exilar quem os possuísse. Isso mudou no século XIX, quando a burguesia enriquecida começou a apreciar os prazeres da caça, que perdeu o caráter de subsistência em favor do caráter esportivo. É dócil, calmo, afetivo, sociável e capaz de grandes sacrifícios, mas algo petulante com outros cães.

pointer

Aponta com o nariz e a cauda na direção da presa. Ativo, expressivo, não prepotente, entusiasmado por seu trabalho de caça, se bem adestrado é também bom em buscas

cocker spaniel

Usado na falcoaria desde o século XIV. Atento, alegre, tenta sempre agradar o dono. Caça e companhia

Guarda e utilidade

 

terranova

Simpático, vigilante, calmo, perigoso se irritado. Cão d'água, útil a pescadores e  marinheiros como salva-vidas.

labrador

Cão com múltiplos talentos, notadamente guia de cegos

cão d’água português

Ajudante dos pescadores, para os quais puxava as redes de pesca. Excelente nadador e mergulhador, usado como recuperador (retriever).

canaã

Inteligente, atento, gosta de casa, leal e guarda fiel; útil como guia de cegos e para busca e salvamento

pastor inglês, sheepdog ou bobtail

Paciente,  tolerante com crianças. Latido forte, típico dos cães que dirigem rebanhos e precisam impressionar as ovelhas, novilhas, etc. Acompanhante de animais em fazendas, condutor e defensor. Guardião.

pastor alemão ou "lobo da Alsácia"

Guarda, guia de cegos, e todas as atividades desempenhadas pelos cães de trabalho A raça do famoso Rin-tin-tin do cinema e da tevê

cão da Serra da Estrela

Dócil com o dono, mas atrevido com estranhos. Era usado originalmente para proteger de lobos e outras ameaças os rebanhos da Serra da Estrela. Por ser grande e emitir um som muito forte ao latir, passou a ser muito usada na guarda de casas e propriedades e, no final do século XX, destronou o perdigueiro como o cão mais popular em Portugal.

collie

Originalmente um ovelheiro. Companhia, exposição, competições, guarda e defesa . A raça da famosa Lassie do cinema e da tevê

fox paulistinha ou terrier brasileiro

Incansável, alerta, ativo e esperto; amigável e gentil com amigos, desconfiado com estranhos.

fox terrier

Originalmente cão de estrebaria, para caçar ratos. Atento, combativo, persegue tudo que se move, inquieto. Caçador de animais nocivos, guarda e companhia. Raça de Milu, o cãozinho de Tintin.

bull terrier americano ou pitt bull

Cão forte, ágil e determinado, criado para combates e lutas sangrentas. Inteligentes, leais e afetuosos (inclusive com crianças), mas teimosos. São intolerantes com os outros animais. Um dos cães mais fortes do mundo, considerando o seu tamanho. Mostram sua valentia caso sua família seja ameaçada ou a propriedade invadida - um instinto tão aguçado que não  devem ser incentivados a superproteger seus donos e familiares. Famosos por sua sensibilidade em prever a intenção de estranhos.

akita

Inteligentes, leais, devotados, alertas, corajosos e esnobes com estranhos. .Aprendem rápido e tornam-se entediados, igualmente rápido.

cão-lobo tchecoslovaco

Vivaz, ativo, leal, desconfiado e corajoso.

boxer

Cordial, bonachão, por vezes excessivamente amistoso, expansivo, admirador de elogios e carícias, mas combatente resoluto e enérgico. Usado como guarda, condutor de cegos etc.

mastim

Tranqüilo, pacato, equilibrado, mas terrível se acorrentado. Guardião de residências desde a Antiguidade

fila brasileiro

Outrora usado para capturar escravos fugidos. Corajoso, determinado, valente, não esconde a aversão a estranhos, nem a meiguice, docilidade e obediência ao dono e às pessoas da família. Ótimo guarda de propriedades. Por seus instintos pode ser excelente também na caça a animais de grande porte e no pastoreio.

dobermann

Austero, chega a ser violento; quando bem adestrado é usado em defesa pessoal e para fins policiais e militares.

rottweiler

Tem equilíbrio, bravura, prontidão, é usado em guarda, defesa e polícia (seguir pistas) 

dogue alemão ou dinamarquês

Calmo, senhor de si, tranqüilo e raramente agressivo. Ótimo vigia. Usado também para carga (não tração)

são-bernardo

Solene e generoso, às vezes teimoso; outrora usado na busca de vítimas de avalanches. Excelente guardião 

samoieda

Afeiçoado, dócil, independente; usado como guarda e para caçar renas em expedições ao Pólo Norte

husky

Cão de trenó, busca e salvamento, amigável, gentil, atento e expansivo. Não é possessivo, como os cães de guarda, tampouco desconfiado com estranhos ou agressivo com outros cães.

malamute ou esquimó

Muito apreciado como cão de trenó; leigo, carinhoso e leal, mas não se dá bem com outros cães

Híbridos

 

cão-lobo híbrido

Vontade e instintos fortes, inteligente, desconfiado de estranhos. Precisa de atenção freqüente para que se mantenha fiel ao dono

cão-coiote híbrido (coydog)

Parecido com o cão-lobo híbrido, mas é menor e mais ágil.

Selvagens

 

dingo

Cão selvagem, domesticável apenas quando capturado como filhote. Não nadam. Formam casais por toda a vida. Reproduz-se uma vez por ano como o lobo e não duas, como o cão doméstico comum.

cantor da Nova Guiné

Pouco sociável e difícil de treinar, não late, mas uiva de forma complexa e sincronizada com outros de sua matilha


Folclore e mitos

O papel mais comum do cão no folclore e nos mitos é o de símbolo da fidelidade. Com esse significado, aparece freqüentemente nos túmulos de damas medievais. No horóscopo chinês, o cão representa, em primeiro lugar, lealdade, justiça, honestidade e amizade. No Japão, sua efígie protege as crianças e facilita os trabalhos de parto.

No simbolismo cristão, os cães pastores podem também ser uma alegoria do sacerdote, por servirem de guardião e guia do rebanho.

Muitas culturas costumavam sacrificar os cães, quando seus donos morriam – ou suas representações (cães de papel na China, por exemplo) –, para que os protegessem e acompanhassem no outro mundo e lhe mostrassem o caminho. Por seu olfato e audição apurados, os cães freqüentemente têm a reputação de ver o invisível, atuando com o intermediários entre os homens e o outro mundo. Na China, excrementos de cão eram esfregados em lunáticos para expulsar os maus espíritos e acreditava-se que sangue de cão, borrifado em alguém suspeito de ser um espírito, revelaria sua verdadeira forma.

Em algumas culturas, o cão é associado ao fogo, ou mesmo identificado como o ser que deu o fogo ao homem – provavelmente porque gosta de dormir ao pé do fogo e rosna se alguém tenta escorraçá-lo dali. Em um mito daiaque, por exemplo, o cão ensina o segredo do fogo a uma mulher esfregando seu rabo num cipó (o que também tem óbvias conotações sexuais). O povo Yao, do sul da China, venera como ancestral um cão que conquistou a mão de uma filha do Imperador em troca de vencer e decapitar um líder rebelde.

Os celtas, que criavam cães de combate, freqüentemente associavam o cão ao mundo dos guerreiros. O maior herói celta é conhecido como “cão de Culann” – ou seja, Cuchulainn – e comparar um homem a um cão era elogiar sua bravura na guerra. No folclore celta também aparece, porém, o fantasmagórico “cão negro”, visível apenas para aqueles que hão de morrer em breve, que inspirou o Cão dos Baskervilles enfrentado por Sherlock Holmes no famoso romance de Conan Doyle. Outras culturas acreditam que os deuses enviam um cão sobrenatural para avisar as pessoas que estão para morrer e escoltar sua alma para o outro mundo.

O cão de guarda também tem, às vezes, conotações infernais: o Hades grego e o Hel nórdico são guardados por cães enormes, monstruosos e ferozes. Cérbero, o cão de três cabeças cuja captura foi o último e mais desafiante dos Trabalhos de Hércules, impede as sombras dos mortos de sair e os vivos de entrar no mundo subterrâneo. No mito nórdico, esse papel cabe a Garm, um enorme cão de quatro olhos que está destinado a matar o deus da guerra Tyr e ser morto por ele no Ragnarok (Crepúsculo dos Deuses).

Para os antigos gregos e romanos, como também para os povos muçulmanos modernos, o cão é, em geral, um animal impuro e desprezível e chamar alguém de “cão” é um insulto pesado. O animal conotado é, neste caso, o vira-lata impudico e inconveniente. Na Grécia, a escola filosófica de Diógenes era chamada de “cínica” – ou seja, “canina” – por repudiar tudo o que os gregos tinham como moral e bons costumes. Uma tradição muçulmana diz que um recipiente no qual um cão tenha bebido precisa ser lavado sete vezes. O cão de caça tem reputação um pouco mais favorável, mas ainda assim os nobres árabes preferiam caçar com falcões.

Em várias culturas existem lendas sobre homens com cabeça de cão, que os europeus chamavam de cinocéfalos. No oriente, a lenda os situa em uma ilha a leste da Coréia.